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Sem dor: tendinite de atletas pode ser tratada com plasma rico em plaquetas

Postado em 14 de dezembro de 2015 com 0 comentários

A infiltração de tendões por PRP foi introduzida na última década como alternativa para tratar das tendinopatias crônicas com promessa de risco mínimo ao paciente.
Cerca de 40% de todas as lesões relacionadas ao esporte envolvem os tendões de nosso corpo. Quando existe reação inflamatória, chamamos de tendinite e, quando já existe um certo grau de degeneração, denominamos tendinose. As tendinites do tendão de Aquiles, por exemplo, ocorrem 10 vezes mais em corredores do que em não corredores da mesma idade. Pessoas sedentárias também estão em risco de desenvolver a lesão. Até um terço dos casos de tendinite de Aquiles têm sido relatados em pacientes que não realizam atividade física nenhuma.
Para que servem os tendões?

Os tendões são os anexos de suporte de carga dos músculos e, ligados aos ossos, permitem uma contração muscular para o movimento mecânico do esqueleto, acelerando ou desacelerando um movimento. São as mais fortes estruturas de tecidos moles do corpo humano, capazes de suportar até 12 vezes o peso do corpo. Ao contrário dos músculos, os tendões possuem pouca capacidade de dissipação de energia cinética por alongamento e, quando o fazem, produzem calor, podendo desencadear a reação inflamatória.

Por que inflamam?

Para sustentar a contração necessária para resistir a estas forças de alta elasticidade muscular durante longos períodos, as fibras do tendão têm relativamente baixa perfusão sanguínea e, consequentemente, potencial pobre de cicatrização.

Durante a carga cíclica gerada pelo esporte, o tendão inflama e, assim como outros tecidos que recebem pouco sangue (menisco, cartilagem, disco intervertebral, etc), existe uma dificuldade de cicatrização e uma tendência de cronificação que também está ligada à idade, ao sexo, à altura, ao peso, as comorbidades médicas, ao esforço repetitivo, as mudanças nos padrões de treinamento, etc. De uma maneira geral, se a cura não acontece, o tendão sofre alterações estruturais com depósito de cálcio e outras substâncias não colagenosas dentro do tendão.
E o tratamento?

Tradicionalmente, a cura da tendinite acontece pela fisioterapia seguida de fortalecimento, reequilíbrio muscular e melhor prepare físico ao esporte. Além de se reduzir a inflamação e degradação do colágeno tendíneo, a reabilitação tem como objetivo melhorar a capacidade de dissipação de energia cinética, deixando de sobrecarregar tendões e articulações.
Em geral, o tratamento é bem sucedido e depende não só de um diagnóstico acurado, mas também da qualidade do fisioterapeuta e dos recursos empregados (ex. Laser, ultrassom, plataforma vibratória, corrente russa, etc).

E quando a reabilitação não resolve?

Havendo falha do tratamento tradicional, outras intervenções invasivas e não invasivas podem ser utilizadas. O intuito é sempre melhorar a dor e a inflamação do tendão para que o atleta possa progredir no processo de ganho de força e equilíbrio muscular.

Historicamente, a infiltração do tendão inflamado com cortisona foi a primeira terapia invasiva utilizada e se consagrou por muitos anos. Porém, nos últimos 10 anos, estudos mostraram que apesar do procedimento aliviar a dor e permitir um retorno ao esporte, também está ligado à degeneração e ruptura precoces do tendão, sendo praticamente abolido para pacientes jovens principalmente se utilizado no tendão de Aquiles e patelar.
Plasma rico em plaquetas (PRP)

A infiltração de tendões por PRP foi introduzida na última década como uma alternativa para tratar tendinopatias crônicas com promessa de risco mínimo. Na Europa e nos EUA, seu uso tem aumentado recentemente, dada a sua segurança e disponibilidade para a preparação ambulatorial. Nestes países, ensaios clínicos randomizados, série de casos potenciais e estudos de caso-controle têm mostrado resultados clínicos de sucesso no tratamento de diferentes tipos de tendinopatias dos membros inferiores. Alguns destes estudos publicados recentemente, mostraram melhoria da morfologia do tendão, vascularização e produção de colágeno por exames de imagem.

O PRP é preparado pela retirada de sangue do atleta, seguido da centrifugação e extração do concentrado de plaquetas. As plaquetas são conhecidas por transportar grânulos alfa e grânulos densos, que contêm vários fatores de crescimento tecidual e transmissores celulares denominados citocinas que promovem a cura de lesões.

Um estudo sobre o efeito antibacteriano de gel rico em plaquetas mostrou inibição do crescimento de bactérias como Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Esta propriedade antibacteriana, teoricamente, reduz qualquer risco de infecção associada com a injeção do PRP.
Autores que defendem seu uso também citam o baixo risco do atleta sofrer uma reação alérgica exatamente por ser um derivado do sangue da própria pessoa.

Limitações de seu uso

Por ser uma terapia relativamente nova, existe ainda um longo caminho pela frente antes de ser considerado o tratamento de escolha para tendinopatias crônicas. Isso ocorre porque a maioria dos estudos publicados e relatos de séries de casos ou estudos de caso-controle, são frequentemente com amostras de pequenas dimensões, o que limita a generalização dos resultados. Motivos estes do tratamento ainda ser considerado experimental no Brasil e em outros países.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com

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